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ENTREVISTA ][ Carlos Mágno alerta: Vírus TiLV pode arrasar a tilapicultura brasileira

ENTREVISTA ][ Carlos Mágno alerta: Vírus TiLV pode arrasar a tilapicultura brasileira

Data de Publicação: 11 de abril de 2026 15:04:00 O pesquisador aposentado da Embrapa e primeiro chefe-geral no Centro Nacional de Pesquisa em Pesca, Aquicultura e Sistemas Agrícolas, Carlos Magno, adverte que o Brasil deve se antecipar à chegada do vírus asiático para evitar o colapso de 70% da produção nacional.

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Por Antônio Oliveira

Em entrevista, o ex-chefe-geral Carlos Magno avalia o amadurecimento da Embrapa Pesca e Aquicultura e aponta a falta de recursos humanos como gargalo. O especialista destaca o potencial de peixes nativos, como o mapará, e faz um alerta urgente sobre a necessidade de pesquisa preventiva contra o vírus TiLV.

 

Carlos Mágno alerta para o risco
do TiLV chegar ao Brasil
(foto: antônio Oliveira/ Cerrado Rural Agro)
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Antônio Oliveira - Dr. Carlos, como o senhor tem analisado o trabalho de seus sucessores na Embrapa Pesca e Aquicultura? No que a unidade evoluiu e o que ainda precisa avançar Pergunto com base  na sua condição de um dos pioneiros deste centro.

Carlos Magno - Acho que toda unidade nova passa por esse processo. A Embrapa costuma trazer alguém mais experiente para ser o primeiro chefe-geral e, depois, a unidade precisa caminhar com as próprias pernas. Acho fantástico que meus sucessores — Alexandre, Daniela e agora o Roberto — sejam pessoas que construíram suas carreiras aqui dentro. Isso cria um sentimento de pertencimento; cada um coloca seu tijolo na construção dessa sustentabilidade.

A unidade tem 17 anos e ainda está se construindo. Para mim, o problema fundamental hoje é a falta de pessoal. O desafio é abissal: trabalhamos com pesca, aquicultura e sistemas agrícolas, mas não temos "braços" para tudo. Não atuamos com camarões, moluscos ou aquicultura marinha como deveríamos. Sendo um Centro Nacional, a Embrapa precisaria de mais profissionais para explorar esse potencial imenso, já que o pescado é a proteína animal mais comercializada no mundo.

Antônio Oliveira - O senhor mencionou a importância de estudar nossa biodiversidade. Onde estão as maiores oportunidades?

Carlos Magno - Sabemos muito pouco sobre nossos peixes nativos. Precisamos de estudos para saber se ficaremos apenas no tambaqui ou se outras espécies têm potencial maior. Eu acredito, por exemplo, que o mapará pode ser o peixe do futuro para a aquicultura de nativos; tem uma carne maravilhosa e cresce bem, mas faltam dados. Outro nicho é o de peixes ornamentais da Amazônia, um mercado fantástico que ainda não exploramos por falta de "cabeças e braços" na pesquisa.

Antônio Oliveira: O senhor, durante sua fala de saudação ao Roberto Flores,  trouxe uma notícia preocupante sobre a sanidade aquícola: a possibilidade de o vírus asiático TiLV (Vírus da Tilápia do Lago) chegar ao Brasil. O que deve ser feito para evitar essa entrada?

Carlos Magno - Primeiro, a pesquisa tem que se antecipar. Não podemos esperar o vírus chegar para depois reagir; se fizermos isso, seremos pegos de "calça curta". É necessário estruturar laboratórios diferenciados para estudar o vírus agora, sem riscos de vazamento, e definir estratégias de contenção.

A Embrapa já fez isso com pragas da soja, estudando-as dez anos antes de chegarem ao país. Precisamos repetir o modelo com o TiLV. A tilápia é o peixe que mais cresce no mundo e no Brasil; das cerca de um milhão de toneladas que produzimos em 2025, no Brasil, 70% foram de tilápia. Se esse vírus entrar sem estarmos preparados, ele vai quebrar os produtores e arrasar a tilapicultura nacional. A estratégia é uma só: antecipar o problema.

 

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