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GENÉTICA E AQUICULTURA ][ Pirarucus albinos do ES miram mercado ornamental
Data de Publicação: 13 de julho de 2026 15:59:00 Mutação rara descoberta em São Mateus abre portas para projeto inédito de reprodução de pirarucus albinos voltados ao comércio internacional.
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Nesta e na foto mais no final da matéria dois
exemplares albinos nadando ao lado de pirarucus
normais
(Reprodução de vídeo)
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Resumo
O albinismo é uma mutação genética rara que desfavorece peixes na natureza, mas tem potencial no mercado ornamental. Em São Mateus (ES), o produtor Junior Costa identificou dois pirarucus albinos e planeja formar um plantel de reprodutores inédito para exportação no futuro, sem foco no comércio de corte.
Por Antônio Oliveira
O albinismo é uma condição genética fascinante e rara que afeta diretamente a capacidade do organismo de produzir melanina, o pigmento responsável por dar cor à pele, aos cabelos, aos pelos e aos olhos. Sem a melanina, o corpo humano ou animal fica destituído de sua coloração natural e desprovido de sua principal barreira protetora contra os raios solares. Embora o mecanismo genético funcione de maneira análoga entre as espécies, sendo uma condição hereditária e recessiva que exige o gene mutado de ambos os pais, a experiência de vida varia drasticamente entre os seres humanos e os animais no ecossistema selvagem.
No reino animal, a mutação pode atingir praticamente qualquer espécie vertebrada, incluindo mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes. O resultado é um corpo de tom esbranquiçado ou levemente rosado, em razão dos vasos sanguíneos visíveis sob a pele ou escamas, acompanhado por olhos vermelhos ou rosados. Em rios, lagos e oceanos, o surgimento de um peixe albino é um evento extremamente incomum e costuma resultar em uma baixa taxa de sobrevivência. Sem a pigmentação, esses animais perdem a camuflagem fundamental para fugir de predadores ou para se aproximar de suas presas, além de sofrerem com a sensibilidade à luz em águas rasas. A exceção ocorre em espécies de cavernas ou de águas muito escuras e turvas, onde a visão e a cor não interferem no ciclo produtivo e de defesa.
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Acará-bandeira albino (Foto: Divulgação)
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Em contrapartida, o cenário se inverte no universo do aquarismo e da piscicultura. Protegidos dos perigos da vida selvagem e com alimentação garantida, os peixes albinos se tornaram muito populares pelo visual exótico. Espécies como Corydoras, Peixe Oscar, Cascudos, Arowanas e Pacus albinos são amplamente reproduzidos em cativeiro e alcançam alto valor comercial entre colecionadores de fauna ornamental.
Uma espécie amazônica muito conhecida e muito produzida em cativeiro, o tambaqui, vez por outra aparece na condição de albino. Entretanto, encontrar um tambaqui albino na natureza é quase impossível, pois a tonalidade clara o torna um alvo imediato para tucunarés, piranhas e aves ainda na
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Tambaqui albino (Foto: divulgação)
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fase juvenil. No entanto, a reprodução em massa em estações de piscicultura pelo país aumentou a probabilidade matemática do surgimento dessa mutação. Quando identificados nas desovas comerciais, esses exemplares são isolados e comercializados como verdadeiras atrações para lagos ornamentais, aquários gigantes e pesque-pagues.
E o pirarucu, outra espécie que cresce muito na piscicultura brasileira?
Em São Mateus, no norte do Espírito Santo, uma surpresa biológica movimentou os tanques da Piscicultura Pirarucu Capixaba. O proprietário do empreendimento, o piscicultor Junior Costa, foi surpreendido com a identificação de dois exemplares albinos de pirarucu entre os alevinos de sua produção. Após passarem pela fase juvenil, os peixes foram transferidos de ambiente e hoje se desenvolvem em perfeito estado de saúde ao lado de indivíduos com a genética e a coloração convencionais.
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O surgimento da mutação ocorreu há cerca de oito meses, de forma totalmente espontânea e sem planejamento prévio. Segundo Junior Costa, a particularidade só pôde ser notada à medida que os filhotes ganharam tamanho nas caixas de alevinagem. Enquanto os peixes comuns apresentavam a costumeira tonalidade escura, os dois exemplares destacados chamavam a atenção pelo tom clarinho. A partir dessa constatação, os alevinos foram isolados para receber cuidados especiais e dar sequência ao desenvolvimento. Atualmente, o exemplar maior atinge 60 centímetros de comprimento, enquanto o menor mede entre 40 e 45 centímetros.
Conforme Junior Costa, as investigações e orientações junto a especialistas da Embrapa indicam possibilidades promissoras para a genética dessas matrizes. Ainda segundo ele, a literatura científica aponta que o cruzamento entre dois indivíduos albinos pode resultar em um plantel 100% albino, ao passo que o acasalamento de um exemplar albino com outro de pigmentação normal gera entre 10% e 30% de descendentes com a mutação. O Cerrado Rural Agro procurou a Embrapa Pesca e Aquicultura, localizada em Palmas (TO), para obter posicionamento técnico sobre os casos de albinismo. A unidade informou, contudo, que o especialista responsável pelas pesquisas com a espécie pirarucu está atualmente em gozo de férias.
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Diante do potencial genético, o produtor planeja constituir um plantel exclusivo de reprodutores albinos focado no mercado de peixes ornamentais. O objetivo é aguardar o período de maturação sexual da espécie — estimado entre seis e sete anos — para tentar o acasalamento focado no comércio exterior, segmento que valoriza expressivamente animais com esse perfil exótico.
"O projeto pode se tornar um marco para a aquicultura global, uma vez que não há registros documentados de reprodução assistida entre pirarucus albinos no Brasil ou no exterior", disse o piscicultor, esclarecendo que os pirarucus não estão voltados para o mercado de corte, mas sim para o aquarismo.
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Pioneirismo nas pesquisas com o pirarucu
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Contabilista por formação, Júnior Costa — que figurou na capa da edição impressa do Cerrado Rural Agronegócios em outubro de 2017 — dedica mais de duas décadas ao estudo autodidata do manejo do pirarucu, trajetória que o consolida hoje como um dos principais cases de sucesso no setor. Ao longo desse período, o produtor dominou processos essenciais de nutrição, acasalamento e reprodução da espécie, além de ter alcançado a aclimatação das matrizes ao clima das regiões Sul e Sudeste do Brasil, etapas que muitos institutos de pesquisa ainda buscam concluir. Atualmente, ele comercializa alevinos e juvenis inclusive para piscicultores da própria região Amazônica, habitat natural da espécie.
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Junior ja foi capa da Cerrado Rural em 2017
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Olhando para a própria trajetória, Júnior Costa afirma não se arrepender da decisão de ter ingressado na atividade. O primeiro contato com a espécie ocorreu em uma feira agropecuária.
- Vi o peixe na festa e, em um primeiro momento, achei muito bonito. Em seguida, passei a estudar as características biológicas e percebi o enorme potencial para a criação em cativeiro - relembra.
Com as etapas de reprodução, nutrição e venda de alevinos plenamente consolidadas, o piscicultor agora enfrenta entraves burocráticos e administrativos para obter o licenciamento ambiental necessário. O objetivo é alçar novos voos e expandir as operações da propriedade para as fases de engorda e fornecimento do peixe a frigoríficos.
Albinismo — Pirarucu Albino — Piscicultura — Peixes Ornamentais — São Mateus ES — Aquarismo
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