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CLIMA ][ Embrapa alerta para extremos climáticos e defende a irrigação
Data de Publicação: 30 de junho de 2026 09:55:00 Para pesquisador, o maior desafio da agricultura vai além do El Niño e exige o redesenho dos sistemas de produção para garantir previsibilidade.
Resumo
O fortalecimento do El Niño expõe a vulnerabilidade da agricultura brasileira frente aos extremos climáticos. A Embrapa Meio Ambiente alerta que a perda de previsibilidade afeta grandes culturas e defende que a irrigação e as práticas regenerativas sejam adotadas como infraestrutura estratégica de gestão de risco.
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Da redação
O fortalecimento do El Niño previsto para os próximos meses acendeu o alerta na agricultura brasileira, mas especialistas advertem que o desafio estrutural vai além de um evento climático isolado. Segundo a Embrapa Meio Ambiente, o obstáculo central do setor é adaptar os sistemas produtivos a um cenário permanente de extremos, com temperaturas elevadas, irregularidade de chuvas e maior risco econômico. O pesquisador Vinicius Bufon destaca que o principal impacto para a agricultura é a perda de previsibilidade, o que afeta o planejamento desde o plantio até a colheita, comprometendo a renda e a capacidade de investimento do produtor.
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Irrigação atua como gestão de risco (Foto: Vinicius Bufon)
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No Centro-Sul, volumes altos de chuva concentrados podem causar erosão, encharcamento do solo e incidência de doenças, sendo seguidos por veranicos severos. O impacto varia por região e cultura: o Norte e o Nordeste enfrentam redução de chuvas; o Sul sofre com o excesso; enquanto o Centro-Oeste e o Sudeste lidam com cenários variáveis de calor e seca. Culturas semiperenes como a cana-de-açúcar e o café são altamente vulneráveis, pois o estresse hídrico prejudica a brotação e as floradas, gerando um efeito dominó que compromete a produtividade por várias safras. Já os cultivos de soja e milho (especialmente a segunda safra) têm suas janelas de implantação e polinização ameaçadas pelo déficit hídrico.
Para mitigar os prejuízos que elevam os custos de toda a cadeia agroindustrial, a Embrapa defende que a adaptação climática deixe de ser emergencial. A instituição recomenda a integração de práticas regenerativas, conservação do solo, uso de cultivares adaptadas, bioinsumos e o uso estratégico da irrigação. Bufon ressalta que o Brasil irriga apenas 8,2 milhões de hectares — sendo 36% voltados à fertirrigação de cana com água de reúso —, um patamar muito abaixo de concorrentes como China (75 milhões) e Estados Unidos (25 milhões). Para o especialista, o país tem potencial para atingir até 55 milhões de hectares irrigados com eficiência e responsabilidade ambiental, mas o avanço depende da superação de gargalos como juros altos, dificuldades de crédito e infraestrutura limitada.
*Fonte: Agência Embrapa de Notícias/jornalista Cristina Tordin, da Embrapa Meio Ambiente.
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