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INTERROGAÇÕES ][ Incertezas e boatos rondam as feiras de tecnologia do MATOPIBA
Data de Publicação: 4 de abril de 2026 10:57:00 Boatos de cancelamento e recuo de concessionárias de máquinas desafiam Agrotins e Agrobalsas, enquanto a Bahia Farm Show mantém otimismo em 2026.
Resumo
O MATOPIBA enfrenta uma onda de boatos sobre o cancelamento de feiras como Agrotins e Agrobalsas após concessionárias de máquinas anunciarem ausência coletiva em 2026. O texto analisa o impacto da retração do setor e do crédito caro, enquanto destaca o otimismo inabalável da Bahia Farm Show.
Por Antônio Oliveira
Uma onda de boatos, informações desencontradas e insegurança sondam as principais feiras de tecnologias agrícolas da região do MATOPIBA, que são a Agrobalsas, no Cerrado maranhense; a Agrotins, em Palmas, capital do Tocantins; e a Bahia Farm Show, no Cerrado baiano. Primeiro, há mais de uma semana, chegou a este editor a informação de que as feiras maranhense e tocantinense seriam canceladas. Consultados por este editor, diretores dos dois eventos, respectivamente Fernando Garcia e Marcelo Introvini, negaram a informação veementemente. Posteriormente, na última quinta-feira, circulou por grupos de WhatsApp de produtores rurais do Tocantins e Maranhão, inclusive nesta minha rede social, uma nota com a seguinte redação - no seu original, inclusive os negritos.
“NÃO PARTICIPAÇÃO NAS FEIRAS – AGROTINS & AGROBALSAS
2026
Posicionamento coletivo do setor diante do cenário de mercado em 2026
Comunicamos formalmente que após reunião conjunta realizada entre os concessionários da região, foi deliberado por decisão unânime a não participação nas feiras Agrotins e Agrobalsas no exercício de 2026.
A decisão reflete uma avaliação criteriosa e compartilhada do cenário atual, considerando o desempenho de mercado abaixo das expectativas projetadas para o período, o que torna a participação nos eventos, neste momento, incompatível com os critérios de retorno e eficiência comercial exigidos pelos concessionários.
Vale destacar que a posição adotada não é isolada: trata-se de um movimento transversal ao setor, com adesão das principais marcas representadas na região, conforme relação abaixo: ·
. New Holland ·
. John Deere
· Case IH
· Massey Ferguson
· Kuhn
· Fendt
· Valtra
· Horsh
· Jacto”
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Imagem meramente ilustrativa criada pela META IA
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Curiosamente, a nota traz no seu rodapé, alinhadas à direita, as logomarcas da Agrotins e da Agrobalsas, e não dos representantes das concessionárias destas marcas. A nota também não cita a data de sua publicação. Entretanto, eu consultei algumas fontes confiáveis no sul do Maranhão e no Tocantins que me informaram que, sim, as concessionárias tomaram esta decisão.
Eu conversei também com o diretor comercial da Agrobalsas, Marcelo Introvini, que lamentou a decisão destas concessionárias; negou que a edição deste ano da feira que dirige comercialmente será suspensa. Contudo, nesta conversa e no seu story no WhatsApp, negou os boatos da suspensão da feira, mas informa que na semana que vem uma decisão será tomada por toda a diretoria da feira.
No Tocantins, também ainda na quinta-feira, entrei em contato com a Secretaria de Agricultura e Pecuária do Tocantins, promotora do evento, solicitando uma posição oficial. Até o fechamento deste artigo não obtive resposta. Mas vale informar que a Agrotins é política pública, questão de honra dos sucessivos governos do Estado (embora já deveria ter sido privatizada com garantina de aportes do Governo) – deveria ser para o Estado do Marahao, no caso da Agrobalsas. A ausência destas concessionárias, embora podendo deixar uma lacuna física e institucional muito grande na feira, dificilmente faria com que a edição deste ano fosse abortada, até mesmo porque a feira é muito diversa e tem um viés muito grande também na Agricultura Familiar. Outra evidência que garante a realização da Agrotins 2026 é que o parque de exposição onde é realizada está em ritmo de trabalho, principalmente na montagem dos canteiros de experimentos agronômicos.
Quanto à Bahia Farm Show, mesmo seus organizadores, expositores e produtores rurais estando cientes da insegurança que ronda o setor de agronegócio no Brasil, o cancelamento não passa nem a 500 quilômetros de distância do Complexo de Exposição Bahia Farm Show, na capital nordestina do agronegócio, Luís Eduardo Magalhães. Na última terça-feira, 29 de março, estive, com um grupo de outros jornalistas locais e regionais, em um café da manhã com o Presidente da feira, lideranças regionais do agro e coordenadores do evento para a apresentação dos preparativos da feira deste ano. O clima era de muito otimismo em relação à edição, 35% maior que a do ano passado; mais de 80% dos estandes comercializados. Aliás, o Presidente da Associação dos Revendedores e Representantes de Máquinas, Equipamentos e Implementos Agrícolas do Oeste da Bahia esteve neste café e expressou o otimismo das concessionárias do Cerrado baiano nos objetivos da feira. Cogitações de cancelamento: zero.
Os fantasmas que rondam as feiras do MATOPIBA
Na verdade, estas ondas de insegurança e boatos, pelo que pude apurar em pesquisas em várias fontes na Internet, têm suas origens nos resultados de negócios e intenções de negócios nas primeiras feiras deste ano, como a Show Rural Coopavel e a Expodireto Cotrijal, que confirmaram uma tendência de esfriamento nas negociações de faturamento imediato. Ocorre que as feiras de início de ano, que costumam ser o termômetro do setor, apresentaram um volume de negócios abaixo das expectativas recordes de anos anteriores.
Somem-se a isto a retração que o setor de máquinas e equipamentos agrícolas teve no primeiro bimestre deste ano, que foi de 17% no faturamento nos meses de janeiro e fevereiro em comparação ao mesmo período de 2025. Para este ano, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) revisou sua projeção, prevendo agora uma queda de 8% no faturamento total do ano. Os segmentos mais afetados foram as colheitadeiras, com recuo de cerca de 40% no início do ano, sinalizando que o produtor está adiando investimentos de maior valor agregado.
O descompasso entre a produção recorde e a rentabilidade é o principal fator de pressão. O faturamento total do agronegócio (VBP) deve recuar cerca de 4,8% em 2026.
Outros fatores que ameaçam o mercado de máquinas e consequentemente as feiras
Preços das commodities: A queda nos preços internacionais (soja e milho) reduziu a margem de lucro, fazendo o produtor priorizar o custeio (sementes e adubos) em vez de renovar a frota.
Taxas de Juros: Com a Selic em patamares elevados, o custo do financiamento via Moderfrota e outras linhas do BNDES tornou-se proibitivo para muitos perfis de produtores.
Restrição de Crédito: Bancos estão mais rigorosos na concessão devido ao aumento da inadimplência e ao endividamento acumulado do setor.
Conforme analistas, apesar do cenário desafiador para máquinas novas, o mercado está se adaptando de outras formas, a exemplo do mercado de usados que, aliás, está em alta. Estima-se que o setor de máquinas agrícolas usadas cresça 20% em 2026, funcionando como uma alternativa viável para quem precisa de tecnologia, mas não consegue arcar com os juros dos modelos zero quilômetro. As vendas de novos que ainda ocorrem estão concentradas em tecnologias que reduzem custos operacionais imediatos, como sistemas de agricultura de precisão e irrigação.
Resumo da ópera (ou do heavy metal)
O momento é de "pé no freio". O produtor brasileiro continua produzindo volumes expressivos, mas a rentabilidade apertada e o crédito caro transformaram a renovação de máquinas de uma prioridade em um investimento adiável.
O Cerrado Rural Agro fica atento a estes movimentos em torno das principais feiras de tecnologias agrícolas e volta a informar o passo a passo delas.
MATOPIBA – Agrotins – Agrobalsas – Bahia Farm Show – Máquinas Agrícolas – Crise no Agro
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