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OPINIÃO ][ O Brasil vai mesmo abandonar o arroz e o feijão?
Data de Publicação: 15 de setembro de 2025 09:58:00 Apesar de ser o maior produtor mundial de feijão, o Brasil enfrenta uma queda constante no consumo interno, um paradoxo que afeta a saúde, a economia e a identidade nacional.
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O consumo regular de feijão cinco vezes por semana
é capaz de reduzir riscos de doenças crônicas, melhorar a
qualidade de vida e aliviar gastos do sistema de saúde
(Foto: Antônio Cruz/ABR)
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Por Marcelo Eduardo Lüders*
Sempre me pergunto: como o Brasil, maior produtor de feijão do mundo, pode conviver com a queda constante no consumo interno desse alimento? O feijão, base do nosso prato feito, símbolo de identidade cultural e nutricional, vem perdendo espaço para ultraprocessados. É um contrassenso: temos um alimento completo, nutritivo, barato e democrático, mas que ainda não recebe o valor que merece. Por isso defendo, com convicção, que precisamos agir agora. Não é apenas sobre mercado, mas sobre saúde pública, economia e até soberania alimentar.
Na minha visão, nós não podemos mais nos limitar a ser apenas bons observadores do setor, dizendo que alguém tem que fazer alguma coisa. Nós - eu e você que estão lendo -, podemos ser articuladores de uma causa maior: transformar o feijão e os alimentos de verdade em bandeira nacional. E não estamos sozinhos. Já contamos com instituições de peso que entenderam a importância desse movimento, como a APROFIR – Associação dos Produtores Irrigantes do Mato Grosso, a EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, o IAC – Instituto Agronômico de Campinas, o IDR-Paraná – Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná, o TAA – Instituto Terras Altas, o GFI – Good Food Institute e a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Feijão. Essa união prova que a pauta não é apenas de produtores ou de acadêmicos, mas de toda a sociedade.
“Defender o feijão é defender o Brasil real, o Brasil de verdade”
O consumo regular de feijão cinco vezes por semana é capaz de reduzir riscos de doenças crônicas, melhorar a qualidade de vida e aliviar gastos do sistema de saúde. No campo econômico, significa renda para milhares de famílias produtoras, empregos na indústria e novas oportunidades de exportação. Culturalmente, o “prato feito” — com arroz, feijão, proteína e salada — é talvez o maior símbolo da nossa identidade alimentar. Negligenciá-lo é abrir mão de um patrimônio nacional. Não me parece exagero dizer: defender o feijão é defender o Brasil real, o Brasil de verdade.
Se queremos que o feijão reassuma seu protagonismo, precisamos de mobilização social, de articulação política e de compromisso produtivo. Consumidores devem se conscientizar, escolas precisam reforçar a alimentação saudável e restaurantes podem valorizar o “prato feito”. O setor público deve dar atenção ao tema e produtores têm de investir em qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e comunicação com o consumidor. O movimento Viva Feijão! mostra que já estamos no caminho. Ele nasce simples, mas com potencial para crescer e se tornar uma grande campanha nacional.
Eu acredito que o futuro do feijão é também o futuro dos alimentos de verdade no Brasil. Não podemos aceitar que um alimento tão completo e acessível seja relegado a segundo plano. Temos instituições, temos parceiros e temos um legado cultural que nos obriga a agir. A hora é agora. Precisamos transformar o feijão em símbolo de saúde, orgulho e união nacional.
Deixo aqui meu convite: siga a campanha Viva Feijão, compartilhe esta mensagem e ajude a espalhar essa ideia. O Brasil precisa, e o feijão merece.
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*É Presidente IBRAFE - Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses.
Feijão, consumo, Brasil, saúde pública, soberania alimentar, ultraprocessados, prato feito, alimentação saudável, agricultura, economia, identidade cultural, patrimônio nacional.
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